.Não percebi muito bem porque é que fui parar a Fitares. Apesar de ficar perto de casa nunca concorri para lá, como nunca concorri para outras escolas da zona onde vivo. Estive 15 anos em Colares, 5 anos no Agrupamento de Igreja Nova em Mafra e 2 anos no Agrupamento D. Fernando II em Sintra. Em todos estes sítios tive o privilégio de uma paisagem sem fim que me enchia, em cada manhã, a alma, só de olhar. Fiz grandes amigos. Amigos para sempre.
No último ano em que estive em Sintra, 2005/2006, concorri para efectivação mas, mais uma vez, apenas para as escolas do agrupamento onde trabalhava e não fiquei colocada. A minha colega e amiga Paula, que trabalhou esses 2 anos comigo, efectivou em Fitares e chorou tanto com o "choque" de ir para uma escola que não conhecia e da qual não ouvia falar muito bem, que eu prometi que no concurso seguinte escolheria Fitares como primeira prioridade para ficarmos juntas. Acontece que temos a ilusão de que podemos traçar o nosso caminho mas, em Maio desse ano, depois do concurso, a minha vida deu uma volta de 180º e, de um momento para o outro, tudo mudou.
Fiquei colocada em Fitares, para onde tinha concorrido em primeira prioridade, e a minha amiga Paula, por quem eu concorri para Fitares, acabou por não ficar lá porque foi convidada para ir trabalhar para a Intervenção Precoce. Não foi bem assim...fomos as duas convidadas para essa equipa e a Paula insistiu imenso comigo para eu ir, mas a minha vida estava virada do avesso e eu não queria nada que a alterasse mais.
Foi assim que eu fui parar a Fitares e perguntei-me porquê...uma escola rodeada de prédios altíssimos, sem natureza, apenas cimento, e onde eu tinha de olhar para cima e ver o céu para poder "respirar". Pessoas estranhas, que eu não conhecia e que, por isso, não me diziam nada, não significavam nada para mim e, principalmente, não me tinham conhecido antes da minha vida mudar e portanto nunca me iriam conhecer na realidade...pensava eu.
As crianças, essas eram como todas as crianças que sempre tive...magníficas, príncipes e princesas e acredito que foram sempre escolhidas "a dedo" para mim, ano após ano, porque precisavam de mim e/ou eu delas.
Três anos em Fitares e fiz especialmente uma amiga, a Sara, educadora como eu. Três anos em Fitares e pessoas simpáticas, pessoas que me desiludiram, pessoas que não interessam, pessoas que tentei ajudar, pessoas que tentei "ensinar", pessoas para quem tentei ser exemplo, pessoas que me tentaram prejudicar e pessoas maravilhosas, falando de colegas, de auxiliares e de pais.
Ainda assim foi para Fitares a minha primeira prioridade no concurso de efectivação e fiquei efectiva.
Quarto ano em Fitares umas colegas saíram e outras entraram. O ambiente ficou mais calmo...melhorou. Os laços com algumas colegas do 1º ciclo apertaram-se e nasceram amizades verdadeiramente importantes.
Quinto ano em Fitares fui convidada pela minha Directora para Coordenar o Departamento do Pré-Escolar e verdadeiramente desafiada por ela para dar aulas a um CEF. Aceitei porque já me sinto mais "eu" e portanto capaz de aceitar desafios sem medo, com vontade, com garra e com todo o empenho!
O ambiente na escola sede, onde dou aulas e onde passo a maior parte do tempo, é excelente. Os meus colegas, professores do CEF, são fantásticos, os miúdos, os nossos alunos de 15 anos, são merecedores de todo o esforço, de todo o amor e exemplo que lhes possa dar, a Directora...o que é que eu posso dizer da Directora para além de que é muito especial... é inteligente, determinada, empenhada, tem capacidade de liderança, é interessada, justa, humana, tem sentido de humor e proximidade às pessoas. Os outros membros da direcção estão também sempre disponíveis, atentos e prontos a "socorrer-nos" em tudo.
Não percebi muito bem porque é que fui parar a Fitares.
Agora percebo perfeitamente.
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